Aos meus amigos

    
Eu, um eterno museu

 É estranho esse termo ‘amizade eterna’. Estranho porque hoje em dia, a eternidade tem durado cada vez menos; por vezes duram apenas meses, semanas, segundos. Bem, serei repetitiva agora como venho sendo há dias: acho que estou meio melosa, chorona, dengosa, querendo que as coisas aconteçam com o máximo de intensidade possível, porque sinto que quando este ano acabar, muita coisa chegará ao fim também. Mais do que sinto, eu sei.
    
Tenho abraçado com mais freqüência. Tenho dito mais “eu te amo” e “senti saudades”. Agora, isso tem mais valor. O agora tem tido mais valor. Logo não haverá mais o “até amanhã” do colégio, as ligações freqüentes e as reuniões de trabalhos escolares. A escassez da companhia de minhas amizades parece ser inevitável. Não digo que o tempo escorre por meus dedos, porque, afinal de contas, não escorre. O que escorre por meus dedos é a falta de oportunidade, o orgulho e desencontros em excesso.
    
A Biatristi aqui sofre por antecedência, e é um museu. Um eterno museu. Para muitos, museu é sinônimo de coisa velha, mas eu o vejo como sinônimo de preciosidades. Venho fotografando muito mais, fazendo inúmeras filmagens e registros de “rompantes muito loucos” e vocês não entendem o porquê ...é que o museu aqui precisa de mais. Mais lembranças, mais registros de tudo isso.
    
Estamos quase na metade do ano e ainda não tenho nem metade do que desejo. Cooperem comigo e parem de dizer “eu não sei fazer isso, eu só sei escrever” (sim Joana Dalva, isso foi pra você). Não quero nada artificial, só quero vocês eternizadas através de mais um eternizador de lembranças. Quero usar todos os eternizadores. E ainda serão poucos.
     
Leio e releio cartas, vejo e revejo fotos, assisto mais de mil vezes as mesmas recordações. Vocês são preciosidades. Vocês ou as sensações que me proporcionaram? A alguns digo: ambos. A outros digo: as sensações. Amizades mudam; crescem e diminuem através do tempo, transformando necessidade em afeto, ou em desprendimento.
    
Olá, vocês que passaram por mim rapidamente! Sinceramente, não sinto falta de vocês. Se não voltaram é porque algo muito importante aí dentro mudou: a essência, e para mim, a essência muitíssimo importante. Sou mais do que inflexível quando se trata da substância real das pessoas. A vocês digo que sinto saudades. Saudades do que fomos e não de quem são agora.
    
Olá vocês que continuam comigo! Saibam que ainda vou abraçar muito e lutar ainda mais para manter nosso “matrimônio amigal”.
    
Eu sou pêra, uva, maçã e salada mista. Tenho amigos de todos os tipos. Falo palavrão, sou culta, crítica e desbocada. Sou recatada, sou uma explosão de atrevimento!  Eu sou o que sou graças a vocês. A variedade de amizade me torna essa salada de frutas, que nada mais é do que picadinhos de vocês incrustados em meu ser. Em minha essência.
    
É por isso que em pleno primeiro semestre eu me derreto ao dizer “senti saudades”. Passo o dia inteiro pensando em vocês, me pegando de surpresa ao perceber mais um de meus atos inconscientes.


Beijos e mais beijos da para sempre de vocês; Bia, Biatristi, Mona Vampira, Beat, Maria Bia, chantagista emocional, cara de desenho, magrela, mina do banheiro, chata de galocha, orgulhosa, mandona, metida a sabichona, mãe da turma e (aqui vai um apelido que eu mesma criei) a eterna criança que é dependente do carinho de vocês.

E sim, eu já estou com saudades.
(Bia Oliveira, Eu) 




...é eu sei gente, ficou lindo! (rsrs)


Um comentário:

Michelle disse...

Se você é um eterno museu, sou então uma eterna visitante... Ou uma ‘em eterna exposição’? Fiquei confusa com a analogia, então vou partir para uma conversa mais direta (ou talvez nem tanto)...

Só de pensar em como vai ser quando não tivermos mais aquelas horinhas diárias de escola, ponto de encontro constante, sério: eu entro em pânico, fico aflita, quase desesperada. Andando de um lado pro outro, passos incertos e pensamentos distantes. E eu imagino o futuro, e a perspectiva de que nada será como é agora, me faz entender o que se passa na cabeça do Peter Pan. Faz com que eu me sinta meio Peter Pan, só que sem a sorte de encontrar a ‘Terra do Nunca’, porque o que busco, na verdade, e a ‘Terra do Sempre’.
Definitivamente, nunca mais será a mesma coisa. E parece que estou sentindo falta antecipadamente, afinal, como você já disse, não estamos nem na metade do ano ainda.

Fico, às vezes, taciturna, olhando para os rostos que me cercam, os rostos que dispus à minha volta, e rostos que se dispuseram por vontade própria; das pessoas que passaram... ou melhor, que estão ‘passando’ por mim. Ali, eu vejo aqueles que tocaram de leve, sem deixar marca; e aqueles cujo não sentirei falta, mas guardarei boas lembranças; e, é claro, vejo aqueles que desde já sinto saudades, que já guardo boas lembranças, que dão sentido à minha vida, e que deixam meus olhos marejados só de cogitar a possibilidade de que não serão mais tão freqüentes em minha vidinha...

O fim do ano letivo não é uma despedida. São várias. Para alguns, é a despedida de rostos que, se voltar a ver, será por mera coincidência, e não por que procurou. Para outros, a despedidas de rostos que se encontrarão outras vezes, mas com uma freqüência que diminuirá pouco a pouco. Para todos, é a despedida de tempos que não voltam mais. Para mim, são todas, Só que com algumas alterações - porque tem certos rostos que eu simplesmente não vou deixar em paz. Sou implicante demais pra sair assim da vidinha de quem amo, e possessiva o suficiente para não deixar que saiam da minha.
Vai ser diferente, eu sei. Mas isso não significa que vai acabar, é só uma nova fase. Pode até ser melhor...! (A verdade? É que eu fico repetindo isso pra mim mesma, só que sem muita convicção. O futuro não é convicto, é incerto, e eu sempre tive medo do escuro. O que me conforta? Saber que, nesse tempo todo que já passou, eu conheci pessoas incríveis, e que hoje, eu as tenho ao meu lado. Deixa o futuro pra Michelle do futuro, que a Michelle do presente tem mais é que aproveitar!)

PS: Suas palavras nunca pareceram tão minhas, o que me faz indagar: Bia, tu é paranormal? Anda lendo minha mente?? Andou xeretando minha lua? Ah, não... eu tinha esquecido: é que você mora lá também, na minha lua... pelo menos, é onde te encontro constantemente, além da escola, é claro, e das vezes que dou uma ‘esticada’ em seu recinto... hihi...!

PS2: Nunca demorei tanto para elaborar um comentário, e mesmo assim, ainda não me parece à altura... e olha que ficou bem grandinho... mas é que ainda não achei um limite de caracteres...

PS3: É, aham. Ficou lindo mesmo... (snif)

PS4: E por último, mas não menos importante... eu te amo... do tamanho do universo...! =]