Sobre as "funções" das aspas: esqueça-as por um instante. Aqui, as aspas têm outra finalidade: caracterizar uma narrativa fictícia, que traga experiências reais nela.
Quem escreve sabe que é impossível produzir um texto sem deixar ali um pouquinho de si - nem que seja escondidinho, para ser visto nas entrelinhas. São pequenos pedacinhos da gente, que insistem em pendurar-se nos parágrafos de cada verso, moldando e transformando temas ao acaso em puro sentimento. Sentimento inicialmente meu, que mistura-se aos teus, transformando-se em nosso.
E é aí que entra o eu lírico.
Existem aqui, narrativas que emanam resquícios do que sou, seguidos de um punhado do que gostaria de ter sido e não fui e que justamente por isso, faço empréstimo daqueles que são. Há de mim, metade do feito e uma enxurrada das vontades que permeiam o meu ser. Há em cada conjunto de aspas aquela que um dia fluirá por entre a gente, e que por fim, verá a si própria exatamente no contexto ao qual se colocou: por entre a poesia artística do molejo daqueles que realmente sabem viver.
Assim, peço a vocês, meus caros, que não se limitem a veracidade de fatos, sentimentos ou acontecimentos, mas sim que apreciem o todo, pois este tem mais charme e mais graça do que qualquer fato meramente verossímil que eu possa contar.
As palavras existem para serem usadas e eu as gasto com gosto e paixão. Eu as consumo sem abuso. Aqui, ninguém é escravo de ninguém.