Uma casinha ao pé da ladeira

Lembra da vez em que eu te falei daquele bairro que dava bem pra ser das nossas vidas; bem localizado, todo lindo, todo paz, todo-todo? Onde se exibiam porções de "aluga-se" e ofertava-se "vende"? Você se lembra? É que eu não consigo parar de pensar naquele bairro. Em especial naquela casinha de aspecto simples, dum charme todo singular, todo a gente. Todo você. Todo eu.

Tá pedindo uma reforma, mas o que é que tem? Arrumaríamos emprego, pintaríamos a fachada de azul royal e ao fim da tarde eu te esperaria na porta usando um avental de florzinha, com os braços abertos e um bolo de laranja em cima da mesa.

Sabe de mais uma coisa? Novamente me pego interrompendo o fluxo de criação, porque a finalização desta banalidade que você lê me vem à mente. Certas coisas nunca mudam. Você sabe do meu tique quanto à repetição de palavras, da minha mania por sonoridade. É que eu notei que tem muito "todo" nisso tudo. 

E foi então que eu vi. Que o tudo, o meu tudo, é a gente numa casinha azul royal, comendo bolo de laranja, falando do preço do arroz, do leite, tentando descobrir o que fazer com a água do macarrão, já que ninguém comprou a massa. 

Eu troquei a roupagem para repetir o que você já sabe: a minha totalidade só existe quando eu estou com você.

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