Os subjetivismos da alma (de cada um)



Dizem e redizem incansavelmente, "amor deveria ser de altruísmo!" Será? Afinal, mesmo que esta seja uma palavra bela e louvável, penso que seja um erro quando a dizemos dotada de todo o sentido, atando-a ao amor e assim, sentenciando-o à morte.

Amor - amar - é muito mais do que isso.

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, disse certa raposa a um certo menino, cujos cabelos deram sentido à cor dos campos de trigo. Fazer-se responsável é tornar próprio aquilo que antes pertencera a outrem, sem deixar ao relento seu antigo possessor.  É expulsar-se de si para que caiba mais do outro e ter no peito a certeza de que serás bem acolhido no colo daquele cujos resquícios de alma foram direcionados. Tem gente que não sabe ou ainda não entendeu que doar-se ao próximo é engrandecer.  Que maturidade é colocar-se no lugar do outro e sentir seus receios. E mais: é fazer questão de lidar com eles, mesmo que estes desfaçam qualquer certeza.  Amor também é companheirismo.

O amor é interesse: visita o coração aos poucos, faz-se necessário e mais tarde torna-se ímpar. É faísca faceira que ascende nos olhos, palpita no peito e eletrocuta as mãos – é pico de alegria–. Tudo o que faz, é para ver êxtase no outro – atenta-se a detalhes pequenos e tiques dos mais diversos–. É um regozijo insano e desmedido. É grande e pequeno ao mesmo tempo: o amor é altruísta. Renuncia à grandeza de sua essência em prol daqueles que pereceriam diante de sua magnitude. É mágoa e possessivismo, e isso nós seres humanos entendemos muito bem: dói ver tanto afinco desvalorizado. Tem gente que se preencheu tanto de Narciso que não pôde, quando os portadores de amor chegaram, abdicar de tamanha paixão por si próprio. A estes couberam gotículas de amor, as quais fazem-se necessárias constantes doses para manutenção. Amor também é compreensão.

O amor é criança: "eu quero!  Eu quero, eu quero, eu quero! Mas por que não? Prometo que eu me comporto! Olha só como é legal, como acalenta! Eu quero!" Tudo é tão novo!
O amor é adolescente: "e se eu me arriscar? E se der errado? E se der certo? E se for o melhor acontecimento da minha vida?" E se...
O amor é adulto: "pode deixar, eu cuido de você. Eu faço dar certo. Ei, deixe de ser tão egoísta. Psiu, ame-se mais. Vem, vamos ver no que vai dar tudo isso." Você está vendo, ali mais à frente...
O amor é idoso: sabe de tudo. Conhece nos gestos cada palavra.


E por fim, o amor é semente, água, pessoa e amor. Incentiva terceiros a plantá-lo, rega-se, apega-se, morre com seu dono e nasce novamente.

O amor é Fênix. 

Nenhum comentário: