Tem gente que é amor.
Te acorda com jeitinho, para não lhe induzir à histeria, jogando conversa fora até que você desperte totalmente do sono, com a mesma paciência que lhe acaricia os cabelos até que este se faça presente. Com igual complacência. Sabe que você vai dizer "lactobacilos vivos" logo depois do primeiro gole de Yakult, e que você só passa requeijão de um lado da bisnaga porque empanturra-o sem dó nem piedade. Sabe que o seu mau humor é uma droga, mas que a alegria que irradia do teu sorriso e das tuas palavras compensa todos os dias ruins. Sabe que você é para todas as horas, para todos os dias, para todos os meses, de todos os anos.
Escuta suas palavras como quem ouve a um ídolo, concorda, vez o outra difere, explicando sua teoria. O aluno supera o mestre? Muito possivelmente. Acha tudo muito lindo; os cabelos, as roupas, a letra, o jeito de andar e de se dirigir a outrem. Reverencia o supérfluo, vive caindo em tentação. Ainda não se fez primavera, há tanto a resplandecer, cultivar e amadurecer...É amor na sua fase mais sincera.
É parte inocência e outra culpa. Mas a culpa é do mundo, não tua. Que culpa tem você, se agora esta lhe pertence? Diz maldades disfarçadas de verdade, mete os pés pelas mãos, se arrepende. Bate e assopra logo em seguida. Doer o dia todo para quê? Cede aos seus mimos, porque é isso o que a vulnerabilidade propicia. Adora que você pareça criança aos seus olhos. Quer cuidar vez ou outra, quer acalentar, ser escudo de carinho. Quer assegurar-se de que sua presença é mais que necessária: é ímpar.
Tem gente que é amor.
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