Tem gente que é amor.
Presenteia com cartões feitos à mão em datas comemorativas, com o mesmo "te amarei para sempre apesar de todo e qualquer pesar" ao final de cada escrito. As palavras são as mesmas, apenas mudam de roupagem. Não deixa de lado mais por medo das consequências do que por pureza no coração. É mais pena do que compaixão, rancor do que perdão. Vive de arrependimento e do sentimento alheio. Só sabe ser assim. Continua amando apesar de todos e quaisquer pesares. O amor continua o mesmo, só adoece, e por isso muda de roupagem.
Avista os cartões amarelados pelo tempo pregados no mural do quarto. O coração esquenta, as palavras reacendem, assim como a certeza de que as cultivaria eternamente. Amor, deveria ser sinônimo de subjetivo: cada um o vivencia e lhe atribui tanto valor quanto pode, tanto quanto a alma aguenta e a razão neglicencia.
Tem gente que é amor. Mas o é errado, aos frangalhos e pelas avessas. Vai ver o coração só suporte assim. Mas em gestos pequenos, mostra que amou (e ama) certo pelos caminhos errados. Guarda os cartões, as cartas e os desenhos. Deixa-os em evidência e mira o desbotar de suas cores singulares todos os dias.
Tem gente que é amor.
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