Eu sei que ando sumida. É que anda me fugindo o desejo de desenvolver as ideias que surgem na minha mente pouco concisa. Sendo assim, deixo aqui uma dissertação que apresentarei como redação de curso - se você que está a ler isto, por um infeliz acaso for a corretora desta, por favor, não pense que eu copiei esta narrativa - e como fiquei bastante satisfeita com o desenvolvido, resolvi anexá-lo aqui.
Boa leitura!
REDAÇÃO 3
TEMA: A SOLIDÃO NUM PLANETA SUPERPOVOADO
Dissera certa vez Álvaro de Campos num de seus poemas - provavelmente
em meio a um enleio sensacionista -: “estou alheio a tudo e igual a todos”. Que
pretendia ele ao exprimir tamanho fato perturbador?
Embora se trate de uma frase do século passado, ocorre que ainda hoje
partilhamos de tal sentimento. É fato indubitável que tenhamos evoluído nas
mais diversas áreas sociais capitalistas, mas em decorrência disso, abdicamos
de relacionamentos em grupo e até mesmo interpessoais, em benefício de uma sociedade
que a cada dia se prova mais individualista.
É por isso que se afirma com tanto afinco que a depressão
representa o “mau do século”. Vivemos uma época imediatista, onde tudo se dá
instantaneamente e os laços afetivos não são devidamente fortalecidos. Os alicerces do convívio social passam de
necessários a supérfluos, satisfazendo interações de cunho estritamente superficial.
Há o interesse dúbio em cada ser humano consumista, a insatisfação na posse, a
frustração de estar sempre a um passo “de” e jamais alcançar tal ponto.
Seria plausível, portanto, dizer que este ato descontente possui
fundamento em desejos mesquinhos, onde a incessante busca do prazer pelo prazer
resulta no inquietante vazio da alma. Querer o ápice sem cultivar o início é
como o ardor de uma paixão sem amor: satisfaz o corpo, mas não alimenta o
espírito, chegando tão rápido quanto se esvai. E assim, vemo-nos sozinhos,
velando incansavelmente as próprias lamúrias para ninguém em especial, enquanto
o vizinho repete o ato sem dar-se conta de que faz o mesmo.
Deixemos de lado esta personalidade hipócrita, a qual de
olhos fechados vestimos com tanto deleite! Pois é mais saudável, útil e duradouro,
viver de relações que complementem tanto quanto suplementam, que culminem no
aprendizado durante o ato de ensinar e que, por conseguinte, façam evoluir também
emocionalmente cada cidadão.
Ponhamo-nos a estalar este “coração de vidro pintado” a que
denominamos sociedade!
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