Chuva

Era uma tarde incomum na escola pré-primária Pequeno Polegar. As poucas crianças que ali estavam, não se encontravam em sala de aula, mas sim no pátio do colégio. A semana de férias já tivera início, e ali só restavam os meninos e meninas cujos pais eram muito, muito ocupados.
    Não se sabe muito bem como tudo começou, o que há para ser dito - e vagamente recordado - é que um dos pirralhos, pôs-se a despejar de sua caneca plástica pequenas doses de água, só para depois enchê-la e despejar novamente. 
    Comprovando o fato de que não é preciso muito para entreter uma criança, eis que logo o pequeno grupo engajou-se com fervor em sua nova tarefa: ensopar a parte recreativa do colégio. Tia de plantão? Nem tinha! E o juízo entrara de férias, junto com a decoreba semestral. 
    Ao fim do ato, num estado de adultice emocional, uma a uma, as crianças foram se fixando próximas à poça, deixando que seus olhos fitassem o feito, e logo em seguida suas próprias faces, estas refletindo nos olhos de seus semelhantes. Seria receio em um daqueles pares? Arrependimento num outro? Ao que a natureza responde com um estrondo: CABRUM! O vento soprou forte e nuvens escuras permearam o céu; vinha chuva por aí. Ninguém sabia de onde e nem como, mas todos olhavam embasbacados para cima, enquanto pequenas gotas vazavam de um firmamento aparentemente achacado.
    Finalmente, uma das tias aparece, gritando e gesticulando apressada para que as crianças corressem para dentro. Sentadas no chão, elas conversam baixinho sobre o acontecido; não havia nada que as pudesse delatar, São Pedro cuidara disso. 
    Existia apenas a cumplicidade colossal de ter fazido chover."

Um comentário:

Unknown disse...

Completamente inusitado o desfecho.
Adorei!