Oi.
Oi porque quando não existe introdução cabível, o jeito é partir pra uma coisa mais íntima, mais casual. E como você leitor já deve estar habituado à mim (ou não), começo com um oi sem graça, seguido de uma pergunta curiosa: como você lida com a distância?
Falo da distância que o tempo traz as vezes, sem nem uma razão nem outra. Falo da saudade que a distância espanca mais que mulher de malandro, da distância que nos mostra coisas das quais não sabemos a respeito de nós mesmos. É aquela distância que incomoda, que dói lá na boca do estômago, que aperta os olhos e deixa o coração do tamaninho de uma ameixa seca. Tá entendo? É aquela distância lá, que dá aflição pela falta, que provoca desespero, que tira a nossa coerência e "nos faz fazer" coisas.
A gente faz coisas em nome dos velhos tempos... faz loucuras por amor, por ambição, por interesse. A gente faz na ânsia de reviver os momentos que se foram e se esquece de que cada situação é unica, de que o ser humano está em constante transição.
A gente esquece - ou não aprendeu -, que "fórmulas momentais" não são recicláveis, porque o outro sempre volta com mais coisa na bagagem.
Sou eu que falo coisas, que faço coisas, sou eu que esqueço coisas. Eu sou o ferro velho dos momentos que se foram. Eu.
O que fode com todo o meu discernimento é esse sistema límbico, que é cheio de artimanhas, que pega meus pontos fracos e me cega.
E aí eu faço de tudo: eu me dôo, me diminuo, me esqueço, me perco, em nome das lembranças que seguem ganhando batalhas ininterruptas dentro do meu ser. Tudo em favor do bom e velho amor recíproco que eu tento (e como tento) preservar dia após dia.
Mas chega uma hora que tudo isso cansa. Cansa dar tanto murro em ponta de faca, porque dói demais viver com as mãos cortadas.
A sensação de que as coisas jamais serão eternas vem à tona, trazendo consigo uma avalanche de nostalgia. E aí a gente se deprime, a gente se revolta, a gente chora. Faz adoecer o amor, transformando-o em mágoa e o que antes fora tão belo, hoje já não tem mais cor. É triste, é feio, errôneo e humano.
O que fazer quando aquelas grandes pessoas escorrem por nossos olhos para nunca mais voltar? O que fazer quando os melhores momentos decidem não mais se repetir, justamente em tempos onde a desonestidade prevalece? O que fazer quando o que há a se fazer nos exaure por completo?
Eis que tenho aqui comigo antissépticos de mágoas, pomadas de esperança, e ataduras de saudade.
Tenho também o aprendizado na teoria e na prática, de que as melhores lembranças não podem ser recriadas pelas mesmas pessoas que as protagonizaram.
Agora é cuidar do machucado direitinho pra não deixar inflamar.
Um Beijo
r E p L E t O
d E
S
a
u
d
a
d
e
s
;
Bia.

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