Essa foi em meados de março. Já disse que não sei qual a data do dia que nos conhecemos? Para mim era mês três. Passei todo ele lembrando de você. E ao fim de maio, algo me fez lembrar que era ali. Mas não faz diferença, afinal você é para um bom tempo. De um jeito que é bastante negativo.
Quando te vi, o coração deu um pulo, provocando um leve solavanco em
meu peito. Disse oi como quem se desmancha em surpresa e, principalmente, em saudades
- algo que de fato sentia, embora só então tivesse dado por conta de tal
sentimento.
O abraço fora de intenso para frouxo em questão de segundos: a mente
recordara da promessa que fizera a si própria: a de afastar-se de ti para nunca
mais. Quis ir embora, mas a mãe quis conversa e você deu corda. Fiquei num
extremo, enquanto ambos gozavam da companhia um do outro. E ela ficou noutro, esperando. Ela, a inhazinha da sua vida. Aquelazinha que eu cansei de lhe dizer
que não merecia nem metade do que você é. Aquelazinha lá, sobre a qual você
lamuriou durante meses, enquanto eu lhe aconselhava a mandá-la para quinto dos
infernos. A mãe volta dizendo que você está mais bonito, tem um quê de
diferença. “Engordou” digo ríspida, mais de duas ou três vezes.
E eu fico me perguntando, o que foi
que eu perdi? Enquanto estávamos numa boa; quando resolvi te deixar. Não suportei
a mesmice suplementativa que éramos eu e você. Antes você longe, do que empacado na minha vida. Sem
falar no desgaste das incontáveis vezes em que tentamos reaver a alegria que
sentíamos na presença um do outro. Mas não deu, não é mesmo? Os erros foram
muitos. Meus e seus. Mais meus do que seus, assumo, mas os teus, os teus poucos erros, feriam mais do que
as minhas bobagens ocasionais. Porque você fazia questão de estragar tudo,
enquanto eu tentava estancar as feridas que me causava. Apenas as minhas. Você
que tratasse das tuas, já que era tão bom em fingir ser o dono da verdade.
Pensando nisso, outro dia lembrei-me duma outra promessa: a de ser
feliz e não deixar-me sucumbir por meus princípios - como a gente gosta de se
boicotar, não é mesmo? Eis que uma promessa anulou a outra que me fez desatar o
laço de nossos braços. Pensei se não era o caso de mais uma das tantas pausas
que se impuseram entre nós ao longo do tempo. Notei a frequência das interrupções ao longo deste, constatando que
bonito mesmo, foi o que gente teve no início, quando um simples bom dia
fazia sorrir e as palavras eram alento. Quando a verdade era o pouco que
conhecíamos um do outro e isso nos bastava. Sem suspeitas ou cobranças.
E, por fim, a fatídica constatação de que tudo entre nós havia
terminado: desatamos a falar do clima. Do mormaço e do trânsito apenas, porque
nenhum de nós foi capaz de contar ao outro as realizações das próprias vidas.
Ter consciência da tua vida mudando de cor e não sentir emergir qualquer sentimento, foi algo que
deveras me assustou. Para onde eles haviam ido? A curiosidade passou longe e eu só consigo classificar tamanha saudade, como um pedaço de ti que
ficou imortalizado em minha mente por ter sido a parte mais bonita.
“E aí, qual a novidade?”
Perdemo-nos um do outro. E eu fico sentindo falta da gente lá no
comecinho (eu fico velando as saudades daquilo que você nunca foi).