...Namorar...


Namorar é algo muito complicado. É bem mais fácil fazer amigos. Mesmo que estes sejam poucos, mesmo que até estes sejam complicados; ainda sim são mais fáceis. Bem mais maleáveis, os amigos.
    
Comparando a dificuldade de se ter um namorado a se ter um amigo; é mais fácil ter um amigo.
TER. É isso o que atrapalha então? Esse ato tão desesperado de possuir? Ou talvez seja o fato de eu poder suprir em um amigo, aquilo que o outro não tem: 
"Fulano é divertido, engraçado, mas pouco inteligente. Mesmo assim gosto dele. 
Posso discutir assuntos mais complexos com Beltrano, que é astuto e sagaz, mesmo não gostando de ir ao cinema. Mas para isso tenho Sicrano, que é fã de carteirinha dos telões..."
    
Como encontrar todas essas qualidades em uma só pessoa? Meu Deus, isso é pedir demais! Exigir demais!  
Aí vem a seleção: escolher aquilo que mais valorizo em um ser humano; complementos ao invés de suplementos. Sentimentos também, obviamente. 
E dá-se início àquela imensa lista mental, que é rabiscada e rasurada mais de quinhentas vezes, sem que eu consiga chegar a qualquer resultado decente.

    
E quando aparece um bom candidado - ora, mais que beleza -, lá vou eu tentar definir o pobre coitado. Mais uma vez fraca e insegura, analiso-o desesperadamente, procurando por definições, qualidades e defeitos. Destruo todo o romantismo da coisa.
Pego-o e forço-o. Manipulo. Exijo que supere suas falhas. Desejo que tenha qualidades que ele não tem.Tudo isso inconscientemente. Subliminarmente.
   
Mas se o faço assim, tão inconscientemente, como consigo escrever à respeito? Como o faço? Digo que sei que faço o que faço, porque sei que faço. Só não noto quando o faço. 
    
Vai ver é por isso, que no fim das contas, é tão difícil - quase que impossível - encontrar alguém que se encaixe. Nunca haverá alguém assim; com todas as qualidades, com tamanha diversidade dentro de si. Isto tudo é ilusão. Utopia.
    
A não ser, que eu dê uma de "Aline" da vida e encontre um "Pedro" e um "Otto" para ser feliz. 
Ter dois namorados, ou entender que não se deve exigir demais de quem não tem o que ofertar?
    
Por hora, prefiro apenas ter amigos.
(Bia Oliveira; Eu)

5 comentários:

Anônimo disse...

TER DOIS NAMORADOS \o/ KKKKKKKKKK
Bem complicado mesmo achar alguém assim, que corresponda as nossas expectativas... As vezes eu acho que sou exigente demais, mas não sou assim pra amigos, manola, eeeeee. KKKKKKK Gostei do texto Bia, tu soube explicar bem essa constante busca por alguém, aquele alguém... aiai.

Unknown disse...

O assunto AMOR é demasiado complicado, então vou começar com os amigos: (ao menos comigo é assim) eu nunca procuro um amigo, primeiro você começa conversando, uns depois começa a falar de seus pesares, outro de suas alegrias, quando vê já esta confidenciando segredos e confiando na pessoa, sem nem perceber, pura espontaneidade.

Tente pensar no AMOR assim, espontâneo, não o procure, um dia ele aparece, só saiba reconhecê-lo quando ele chegar!

Anônimo disse...

Regrette:
'Manola' é tenso isso de relacionamento perfeito. São desejos demais, expectativas demais...Fico feliz que tenha gostado. Beijo.

Potter:
Há na amizade certa inocência, que não consigo encontrar no amor. Referente ao mesmo, existe esta agonia inconsciente, este receio de não saber reconhecer o próprio, quando este resolver passar por perto. E dá-se início a outra imensa lista mental!

Michelle disse...

Está aí um assunto em que não tenho tato - você bem sabe, né, amiga? -, mas quanto a amizade... eu sei que é bela, e sei que é infinita, e que é o porto seguro de muitos.... e meu também, e que você é minha amiga e assim somos felizes! rs
Agora, este outro assunto... é uma inconstante, sem definições exatas, e por isso, a procura é tão incerta. Não tente visualizar, deixe-se surpreender. Não crie expectativas, mas não deixe de ter esperanças. Afinal, como consta em um de meus poemas, a magia da vida é o inesperado...!
PS: Consta acima mais uma tentativa minha de te consolar e aconselhar... um dia ainda pego o jeito, Bia!
Beijo!

Anônimo disse...

Michelle:
Sou extremamente grata por ter você na minha vidinha! Somos felizes sim e espero que por muito mais tempo, afinal, a distância já tentou e não conseguiu destruir a nossa amizade!
A respeito deste assunto incostante, sobre o qual é tão difícil de se discutir; já me é suficiente poder choramingar e você não reclamar. Nem precisa pegar o jeito; o fato de sempre "estar lá" pro que der e vier já é muita coisa!
Super beijo!