"Ah sim, aquele fora um dia inesquecível. Não só para mim, acredite. Durante a noite, muita gente sofreu naquele hotelzinho de quinta que eu chamava de lar ."
Me explicando...
Qual era a ideia do projeto?
A historia giraria em torno de Verônica, uma ex-prostituta que desistiu de sua profissão ao encontrar o amor. A verdade é que a mulher era uma amargurada, uma perdida na imensidão de si. Almejava começar sempre de cima; não se contentava com pouco.
O enredo abordaria suas descobertas em relação ao amor, manipulação e auto-conhecimento.
Por que não deu certo?
Perdi a continuação desta história mais de três vezes e acabei por acreditar que o melhor seria deixá-la de lado.
Porque postei aqui se não vejo futuro no projeto?
Mesmo que não almeje dar continuidade a este, o aprecio muito, e senti o desejo de compartilhá-o com os demais, deixá-lo 'a amostra'.
Bem, este é o último fragmento que possuo. Fiquem a vontade. É isso. 'Finito'
Fragmento I Fragmento II
Reencontro
Verônica olhava pela janela cheia de remorso. A noite fora extremamente longa e mesmo assim não conseguira dormir.
Acordou pela manhã com a água salgada que insistia em vazar por seus olhos antes tão belos e agora tão cheios de angústia e arrependimento. Ela devia merecer tudo aquilo. Mesmo sabendo que amava aquele homem com todas as forças de sua alma, deitou-se com um qualquer, que buscava por qualquer mulher. A dor do remorso era torturante; ardia e queimava, mais do que se possa descrever ou imaginar.
Sufocada por seus próprios pensamentos, a mulher corre para fora, bate a porta e foge dali; para poder se iludir ao imaginar que se sente melhor.
Acordou pela manhã com a água salgada que insistia em vazar por seus olhos antes tão belos e agora tão cheios de angústia e arrependimento. Ela devia merecer tudo aquilo. Mesmo sabendo que amava aquele homem com todas as forças de sua alma, deitou-se com um qualquer, que buscava por qualquer mulher. A dor do remorso era torturante; ardia e queimava, mais do que se possa descrever ou imaginar.
Sufocada por seus próprios pensamentos, a mulher corre para fora, bate a porta e foge dali; para poder se iludir ao imaginar que se sente melhor.
E ali estava a ex-mulher da vida, na rua daquele que tanto fizera sofrer. Fixou-se àquele pedaço de chão, espantando a ideia tentadora que acabara que vir à sua mente. Obrigou-se a continuar andando; passaria em frente àquela casa sem sequer dar-se ao trabalho de virar-se na direção daquele lar.
Seguiu então pisando firme naquele asfalto molhado, inalando o cheiro de mato que a chuva deixara como marca de sua rápida passagem por ali.
Sua respiração ficava mais irregular a cada passo dado. A mulher viu-se ofegante; parecia ter corrido uma maratona ao invés de apenas andar.
Seguiu então pisando firme naquele asfalto molhado, inalando o cheiro de mato que a chuva deixara como marca de sua rápida passagem por ali.
Sua respiração ficava mais irregular a cada passo dado. A mulher viu-se ofegante; parecia ter corrido uma maratona ao invés de apenas andar.
°°°
Eu nunca o havia visto tão pálido. Não era para menos, afinal, ele deveria estar jogado ali há horas. Eu deveria saber...deveria imaginar que ele agiria desse jeito. Ele sempre fora assim; impulsivo, inconseqüente. Empurrei a cerca e entrei rapidamente; eu precisava carregá-lo para dentro de alguma forma.
Toquei-o para sentir sua pulsação, e ao que tudo indicava Otávio ainda estava vivo. Resolvi sentir a minha também; parecia que eu ia ter uma síncope a qualquer momento. As mãos formigavam e eu suava frio enquanto tentava arrastá-lo para o quarto.
Levaram duas horas para que ele acordasse, para que realmente abandonasse os delírios típicos de quem bebera a noite e a madrugada inteira. Ainda sim, achei pouco. Ainda não havia conseguido me preparar para encará-lo. E quem foi que disse que a vida espera não é mesmo?
Meus olhos se fecharam assim que viram os dele se abrir. Era hora da parte difícil. A questão era: quem iria falar?
Eu digitava todos os pensamentos antes de falar, e por mais que escrevesse e reescrevesse, ainda não parecia bom. Nada sincero nem real.
A coisa mais sincera que brotava de mim eram as lágrimas, que insistiam em vazar por meus olhos, encharcando minha face.
Ele mostrava-se embaraçado, mas não parecia que em segundos desabaria a falar e se lamentar. Ele estava controlado, ao contrário de mim.
Fechei os olhos e tomei um pouco mais de ar – Recomponha-se, pensei. Não, não ia dar. Não ainda, não tão cedo. Eu diria o necessário a ele. Contei mentalmente até cinco e abri os olhos... aí ele sorriu.
– Desculpe por isso. – Ele disse num tom lindamente sarcástico e avaliativo.
“Não foi nada, adorei poder salvar você”.
– Não por isso.
Sorri e fui embora. Educada e direta.
Me senti mais leve no caminho de volta pra casa.
3 comentários:
Poax, a Mi me falou já dessa sua história... É uma pena que você não tenha concluído, porque se eu já gostei desse "fragmento" imagina o resto. *-*
Aah brigada flor, fico feliz em saber que gostou!
Beijo ;)
Fica deixando todo mundo aí empolgado e envolvido pela história, sendo quem nem ao menos chegaremos ao fim dela...! (brincadeirinha...)
Na verdade, estou contente que tenha decidido compartilhar conosco esses 'fragmentos'- meu 'coração de margarina' já decidiu que, realmente, maldade maior seria deixá-los de lado... enfim, só ressaltar que teria sido uma ótima história, e que.. ah, o de sempre, sabe? Não consigo deixar de ficar admirada, encantada, orgulhosa, impressionada e coisa e tal ao ler algo que escreve - não precisa de mais que um parágrafo para perceber que tu tem talento... e muito! rs.
"Bia Oliveira tem talento. Pode investir". Palavras da super-zica Professora Rita... quem ousaria discordar?
Beijos!
Postar um comentário