“Eu a vi implorar.
Eu a vi chorar, se rasgar, morrer... Apenas para se desculpar.
Vi outra coisa também: vi a mim mesmo lá em baixo, sem sequer conseguir falar.
E aí eu acordei.”
Três coisas muito estranhas aconteceram quando eu acordei: a primeira foi que eu estava deitado, completamente sujo de lama, com folhas grudentas espalhadas por todo meu corpo. A segunda foi que ela estava lá, sentada a minha frente, no meu quarto, ao pé da cama. A terceira coisa - essa sim me surpreendeu - , foi que assim como no meu sonho, ela realmente, estava chorando.
Talvez esse fosse mais um sonho. Resolvi piscar só por garantia. Nada. Eu continuava vendo as lágrimas brotarem daqueles olhos que um dia tanto ansiei por ver.
O que fazer quando a pessoa que o salvou de si próprio, é a mesma que o fez querer se perder? Agradecer? Acho que não. Mas eu devia a ela, e ela sabia disso.
Lembrava-me perfeitamente do havia acontecido - bem, quase perfeitamente...
Saí do apartamento dela completamente desnorteado, e a única coisa que eu queria era ir para casa. Ao chegar, fui ate o armário e peguei minha caríssima garrafa de uísque e acabei com ela em poucos minutos. Essa não era a ideia original, mas achei a atual bem mais tentadora.
Mas não foi o suficiente. Eu ainda estava acordado, ainda estava ali. Flertei com a garrafa de 51 que disse sim logo na primeira tentativa de paquera e rapidamente trouxe o torpor à mim. Foi bem mais rápido com ela, aliás, foi até mais barato. - Devo me lembrar de não sair mais com garrafas de uísques, além de caras são uma porcaria.
Resolvi sentar um pouco na varanda para ver as gotas da chuva que caía. Devia estar quase amanhecendo, e elas dançavam numa sincronia perfeita. Resolvi me juntar àquela perfeição.
E bailamos os dois, naquela madrugada triste e amargurada. Foi bom não estar completamente sozinho.
A unica coisa da qual eu não consigo me lembrar, talvez a mais importante, é de como a fachada da casa se transformou numa cama, e minha garrafa de 51 naquela mulher.
Esperei até que um de nós tivesse a coragem de falar.
3 comentários:
Num segundo a história te prende, e logo no outro ela já acabou... isso é tão frustrante...! rs
ok, ok.. são apenas fragmentos, afinal... mas quem sabe esse projeto ainda tem salvação? Se realmente não deu certo, isso que você etá fazendo é maldade, Dona Beatriz...!(ham!)
rsrs
bj!
Humm.. então acho que vou levar uma bronca, já que não vejo futuro para esse projeto.(rsrs)
Só os postei porque achei maldade deixá-los lá, abandonadinhos. O que é mais maldade então, hein 'coração de margarina'? (ham!)
Não fique brava, projetos melhores virão!
Super beijo!
Concordo com a Michelle, quando a história parecia entrar no clímax, tudo acaba!
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